sexta-feira, novembro 11, 2005

A Inteligência - Ciência, Homem e Estudo de Campo

Prefácio de Rui Filipe, líder inato, futuro grande gestor e, qui ça, famoso treinador de futebol
Quando a Diana me desafiou para prefaciar sobre um tema tão complexo como a Inteligência saiu-me logo: ”Ser Inteligente é ser ambíguo.” Afinal haveria sempre fuga para um confronto de opinião.
Mas se pensarmos bem, Inteligente é aquele que sabe o quer, pondera as opções e faz as suas, sem medo das consequências. Enfrenta opiniões contrárias, porque está convicto que está certo!
“O primeiro dever da Inteligência é desconfiar dela própria.” Com esta de Einstein, voltamos à minha primeira frase, criando um ciclo vicioso… não?

Confesso que, quando me propus a dissertar sobre Inteligência, não tinha a noção de que iria ser tão difícil escrever qualquer coisa. Literalmente. Apesar de ser apenas um post para um blog que quase ninguém lê, enferrujei e não foi pouco. A minha esperança, por esta altura, é que, como se trata de um post relativamente grande, isso afaste os mais preguiçosos.

À ciência o que é da ciência, ao homem o que é do homem

A enciclopédia diz que a palavra "Inteligência" vem do latim intelligentia, que significa compreensão. Segundo Binet e o seu colaborador Théophile Simon, a inteligência é um atributo geral que se manifesta em muitas esferas do funcionamento cognitivo.
Quando o homem (vestido de psicólogo) fala em vez da ciência, define a inteligência através de aptidões como: o raciocínio abstrato, a resolução de problemas, a capacidade para adquirir conhecimentos, a memória, a adaptação ao meio, a velocidade intelectual, a competência linguística, a competência matemática, a originalidade e o conhecimento geral, a acuidade sensorial, a orientação para um objectivo e a motivação para a realização.
Rematando: não há uma definição unívoca do conceito de inteligência, dada a sua tamanha complexidade. Sabe-se que é uma capacidade. Mas... para que serve esta capacidade?
Desenhemos, então, um pouco...
Estou lixada, não consigo escrever sobre isto. Para me safar, resolvi passar a batata quente. O que pensarão os caros amigos e conhecidos com os quais eu partilho a internet?
O "Estudo de Campo" (sem pretensões científicas) a que me propus consistiu no seguinte:
  • FASE 1 - Perguntar a 40 pessoas: "Dá-me um sinónimo do que é, para ti, ser inteligente. A primeira palavra que te vier à cabeça". Esta fase dar-me-ia as palavras/ expressões iniciais, com as quais iria desenvolver todas as restantes fases.
  • RESULTADOS FASE 1 - As respostas das 40 pessoas resultaram em 26 expressões diferentes. As mais frequentes, ou seja, as que foram referidas por mais do que uma pessoa, foram: "sábio/ sapiente", "criativo", "perspicaz/ perspicácia", "esperto", "adaptabilidade/ versatilidade" e "Eu/ o meu próprio nome". A mais referida na 1ª fase foi "sábio/ sapiente".
  • DISCUSSÃO FASE 1 - Houve uma grande variabilidade de respostas: 65% das expressões foram únicas, ou seja, referidas por uma só pessoa. Dado que o objectivo era escolher expressões pouco conscientes, pouco pensadas, destaco algumas respostas mais originais, como por exemplo: "expressão", "matemática", "eu/ o meu próprio nome", "independente" e "saber calar quando é necessário", expressões que mais dificilmente se relacionam directamente com o conceito de inteligência. Acho eu.
  • CONCLUSÃO FASE 1 - A inteligência é, segundo os caros amigos e conhecidos com os quais partilho a internet, um conceito vasto, complexo e, porque não, algo que nos pode levar para áreas da nossa vida que não estão directamente relacionadas com inteligência.

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  • FASE 2 - Perguntar a 3o pessoas: "Dá-me um sinónimo do que é, para ti, ser inteligente", dando-lhes a optar pelas 26 expressões "recrutadas" na fase 1. O objectivo é saber quais são, realmente, as mais escolhidas, dando-lhes a oportunidade de pensar sobre as várias opções. As respostas originais foram adaptadas, de forma a homogeneizar o leque de opções.
  • RESULTADOS FASE 2 - Resultaram 9 expressões repetidas, isto é, referidas por mais do que uma pessoa. As privilegiadas foram: "saber resolver as mais variadas situações", "capaz de aprender/ inferir", "ter espírito reflexivo", "sem definição possível", "adaptável/ versátil", "criativo", "esperto", "perspicaz" e "sábio/ sapiente". A opção mais escolhida, de entre as 26, foi "saber resolver as mais variadas situações". Das 9, passam para a fase 3 as 4 mais escolhidas, ou seja: "saber resolver as mais variadas situações", "adaptável/ versátil", "perspicaz" e "sábio" sapiente".
  • DISCUSSÃO FASE 2 - Apareceu-nos, como podem ver, uma nova expressão vencedora, que obteve, nesta 2ª fase, o dobro dos votos da vencedora da 1ª fase, "sábio/ sapiente". No fundo, no fundo, não sei que significado subliminar tem este facto.
  • CONCLUSÃO FASE 2 - Tendo em vista a oportunidade de pensar e optar entre várias alternativas, as pessoas tendem a excluir as expressões menos relacionadas directamente com inteligência (não tinha mais nada para pôr aqui).

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  • FASE 3 - Perguntar exactamente o mesmo, desta vez a 20 pessoas, dando-lhes a optar pelas 4 alternativas mais "votadas", das 9 apuradas na fase 2.
  • RESULTADOS DA FASE 3 - Das 4 expressões mais "votadas" na fase 2, seguem apenas 2, para irem a veredicto final na fase 4: "capaz de aprender/ inferir" e "adaptável/ versátil". De qualquer forma, na fase 3, a mais votada foi "saber aprender/ inferir", com 40% das preferências.
  • DISCUSSÃO DA FASE 3 - Temos, novamente, uma nova expressão mais escolhida.
  • CONCLUSÃO DA FASE 3 - A escolha de uma expressão que melhor defina "ser inteligente" não parece consensual, ao fim de 3 fases.

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  • FASE 4 - O mesmo, para apenas 10 pessoas e apenas 2 alternativas de resposta. 10 pessoas que não tinham escolhido "adaptável/ versátil" ou "capaz de aprender/ inferir", em nenhuma das fases anteriores.
  • RESULTADOS FASE 4 - 70% escolheram "capaz de aprender/ inferir".
  • DISCUSSÃO FASE 4 - Grande abada!
  • RESULTADOS FASE 4 - A escolha final foi esta, independentemente da validade deste meu estudo. Os caros amigos e conhecidos com os quais partilho a internet, consideram que, dentro das alternativas sugeridas, a que melhor define o que é "ser inteligente" é ser "capaz de aprender/ inferir".

Curiosidades deste Estudo de Campo:

  • Apenas 45% das pessoas da 1ª fase me perguntou qualquer coisa do tipo: "Mas para que raio é que tu queres saber isto?!". Talvez isto diga alguma coisa sobre a curiosidade dos caros amigos e conhecidos com os quais partilho a internet.
  • Apenas 2,5% das pessoas da 1ª fase me perguntou qual tinha sido a minha resposta. Isto corresponde a 1 pessoa, entre 40. Vejam bem: uma única pessoa, entre 40, 30, 20 e 10 pessoas, durante as 4 fases em que participou, perguntou: "Então, e tu, o que é que respondeste?". Dá que pensar. Ou não.
  • Na 2ª fase, apenas 43,3% das pessoas mantiveram a resposta dada na 1ª fase.
  • Poucas ou até nenhumas expressões contemplaram directamente a tão aclamada "inteligência emocional". Ofensivo, eu diria.
  • Chegaram a perguntar-me "Então, acertei na resposta?".
  • Das 40 pessoas iniciais, 35 eram do sexo masculino. Acho que isto pode explicar muita coisa. Não sei é bem o quê.
  • 2 pessoas foram especialmente chatas. Acharam que nenhuma expressão era satisfatória. Uma, inclusivamente, recusou-se a responder e provavelmente ter-me-á bloqueado no MSN.
  • A minha palavra inicial (a que eu escolhi na FASE 1) não passou da FASE 2.
  • A pergunta: "dá-me um sinónimo do que é para ti ser inteligente", ou perguntas afins, foi escrita mais de 100 vezes, por mim, em janelas do MSN.
  • A expressão vencedora: "ser capaz de aprender/ inferir" foi referida por apenas uma pessoa na primeira fase. Eu sei quem foi. E vocês não.

O meu tipo de Inteligência

Acho que, para além das concepções científicas de Inteligência, todos nós admiramos um ou mais tipo(s) particular(es) de inteligência. É como se, independentemente do Q.I. de uma pessoa, nós a admiremos por qualquer outro atributo que faz com que a achemos brilhante. Possivelmente, essa pessoa faz muita coisa com que nós até nem concordamos. Mas, a suplantar isso, há qualquer coisa nela que nos faz sentir pequeninos. Faz-nos ter vontade de ficar um pouco mais a ouvi-la. Mexe com a nossa curiosidade e com a nossa (tantas vezes preguiçosa) vontade de aprender. Admiramo-la, e tudo o que não sabemos explicar ou compreender dentro desse fascínio, faz-nos querer saber mais acerca dessa pessoa, e sobre o que ela faz, pensa ou sente. Quem sabe até fazer parte desse fascínio também.

É assim que eu distingo alguém inteligente. Para mim.

Últimas considerações

A Inteligência mexe com o que cada um pode ser. A variabilidade individual é um lugar muito vasto. Pensar sobre isto é muito complicado, há demasiadas ressalvas a fazer. Resolver escrever sobre inteligência não foi uma decisão inteligente.

9 comments:

Anonymous Anónimo said...

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11 novembro, 2005 01:28  
Anonymous Anónimo said...

digamos que fui muito barafusteiro, quando me pediram para fazer parte deste estudo, e em nenhuma das minhas respostas fiquei satisfeito, com a minha definição, nem com as definições que tive de escolher

e como desconfiava, e sem querer desmerecer a autora (longe de mim), o estudo não revelou nada para além de que inteligência é algo demasiado multifacetado (e isto acaba por ser a minha opinião) para poder ser definida, é algo que se vai aprendendo a reconhecer, pela admiração e logo pelo que achamos superior a nos próprios. o que posso considerar inteligente pode não ser encarado da mesma maneira pelas restantes pessoas.

o fascínio por uma pessoa, porque não a entendemos, pode muitas vezes ser um engano. podemos não a entender porque realmente pensa de uma maneira diferente, mas isso ter valor ou não, é algo que não podemos aferir imediatamente

e com isto acabo sem chegar a conclusão nenhuma, sobre o que é uma pessoa inteligente, mas narizinho como sou, vou acabar dizendo que, quando vejo uma reconheço-a

11 novembro, 2005 02:14  
Blogger Capitao America said...

Sim, li tudo e acho que ficou engraçado. Tenho pena que "sapiente" tenha ficado pelo caminho. Era uma palavra forte e que tinha tudo para sair vencedora. Valeu a intenção. Já agora, qual foi a definição escolhida por ti?

11 novembro, 2005 12:12  
Blogger Diana said...

Criativo.

11 novembro, 2005 14:28  
Blogger Capitao America said...

Fraquiiiiiinha!

11 novembro, 2005 14:55  
Blogger Adriana said...

A mim parece-m um conceito demasiado abrangente, cujo sinónimo só se vai encontrar quando aparecer uma palavra vaga o suficiente que também precise de ser definida e delimitada nos mesmos contornos.

Mas o que eu queria mesmo saber, é quem muito provavelmente te bloqueou? :D

Outra coisa, parece-me que o resultado se revelou um bom exercício para a tua inteligência. :P

11 novembro, 2005 16:44  
Blogger Diana said...

Ontem confirmei que afinal não tinha sido bloqueada. Estranhamente, a própria pessoa veio falar comigo. Mas cheira-me que a nossa relação não sobreviverá a mais nenhuma brincadeira destas. Já descobriste quem é?

11 novembro, 2005 17:22  
Blogger Adriana said...

Deduzo...

11 novembro, 2005 23:52  
Anonymous Gon said...

Quero dar os meus grandes Parabéns ao excelente trabalho que aqui desenvolveste, demonstra bastante qualificação para o efeito. Para além do tempo que demora a ler (e com bastante interesse, diga-se) penso que mais trabalho e tempo te custou, Di. Sublinho novamente tás de parabéns . (Pena o sábio não ter ganho e continuo a achar que palavras que contenham mais que uma definição, são muito abrangentes para se discutir, porque cada um a define consoante o pensamento de cada um e consoante o contexto em que a quer definir.) Gon.

12 novembro, 2005 02:27  

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