quarta-feira, novembro 23, 2005

Post de Conteúdo Zero - Engate: menos cérebro ou mais cérebro?

Prefácio de Adriana, pré-aniversariante e casante dos anos :P
Mais uma vez abordando assuntos polémicos que suscitam divisões na população pelo mundo fora, Diana Magalhães propõe-se desbravar o caminho espinhoso do tabu que rodeia o engate. Actividade preferencial para uns, dissimulada para outros mas que atravessa diagonalmente as nossas vidas, resta saber se o engate é condenável, louvável ou simplesmente uma coisa como outra qualquer. A autora explica-nos.
Facto 1: Independentemente do tamanho do corpo, o neocórtex dos macacos que se alimentam de frutos é maior do que o dos que se alimentam de folhas.

Facto 2: A oxitocina é uma substância química que existe no organismo humano que facilita as interacções sociais e induz a ligação entre parceiros amorosos.

Facto 3: O arganaz é um roedor com uma fantástica pelagem que, após um “namoro fulminante” e um “primeiro dia de copulação repetida e apaixonada”, se torna inseparável do seu parceiro, até à morte.

Engatar, no inocente dicionário, é “seduzir e conquistar”. No mundo que eu vejo, engatar é seduzir e conquistar, sim, mas a conquista é para ser largada o mais depressa possível. Sem qualquer pretensão amorosa, quem vai para o engate quer um parceiro efémero. Sem qualquer objectivo maquiavélico, quem vai para o engate quer apenas passar um bom bocado. Não há falsas esperanças, não há luz de velas, não há promessas além das necessárias para o efeito, não há verdade, nem mentira. Não há maldade, aproveitamento, presa e predador, virtude ou glória nesta ligação. Trata-se de uma conquista mútua e inconsequente* e quem ousar individualmente além disso, provavelmente levará um belo tombo.

Despojado de romantismo, quem engata não procura qualidade. Ninguém quer sair dali com o amor da sua vida** nos braços. A palavra de ordem é disponibilidade***. Longe da formalidade de um processo de recrutamento e selecção, procura-se alguém que queira apenas "o mesmo". É uma procura de semelhantes vontades instantâneas, não de semelhantes projectos a longo prazo. Como o amanhã simplesmente não existe para o “nós” do engate, não vale a pena pensar muito sobre o parceiro.
Tal como os macacos que se alimentam de folhas possuem um neocórtex menor do que o dos símios que se alimentam de fruta, parece-me que o ser humano mais dado ao engate fará render menos o seu cérebro, comparativamente ao de quem procura, criteriosamente, alguém especial e para manter por mais de umas horas.
Assim como o macaco “folhívero” não necessita de possuir uma memória rica que lhe permita recordar-se de quando e onde pode procurar frutos comestíveis, para não perder tempo em árvores sem frutos ou com fruta estragada, o homem “engatívero”, também não precisa de esforçar muito o seu cérebro, porque o que irá “comer” está, como as folhas do macaco com neocórtex menos desenvolvido, em qualquer “árvore”.

Do outro lado do engate, está aquilo a que o mundo gosta de chamar de amor, noção com a qual irei, ironicamente, compactuar neste post**. Um caso curioso a este respeito é o que retrata a história de amor do arganaz. Escolhida a sua parceira, o arganaz-macho adquire uma atitude hostil e agressiva face a qualquer criatura que não seja a sua apaixonada**** e demonstra ser um companheiro bastante prestável junto do ninho. A responsabilidade por isto não recai sobre a boa-vontade do macho, claramente, mas sim, sobre a oxitocina.
A minha teoria é que o ser humano, na liberdade que a Evolução lhe concedeu, adquiriu a faculdade de fintar alguns dos efeitos desta substância, de modo a evitar os eventuais prejuízos da sua acção. Parece-me que os efeitos da oxitocina no “engatatão” e na “engatatona”, são canalizados para a interacção social específica, fazendo-se o possível para que a ligação entre os parceiros, amorosa ou não, seja e se mantenha atrofiada.
No fundo...

... não me consigo decidir. A natureza diz-me, de forma ambivalente, que o homem que opta pelo engate é inteligente e pode não o ser. Eu acho que, dentro da inteligência em potência que aparentemente todos temos, podemos engatar inteligentemente. Vamos pensar juntos... será que isso depende da atitude face ao engate, isto é...

... o homem escolhe a efemeridade amorosa por lhe ser mais vantajosa,

... se simplesmente é a única hipótese que tem para ter algum contacto amoroso,

... se é uma questão de facilidade em agarrar a oportunidade,

... se apenas se apanhou uma bebedeira descomunal,

ou outra (digam vocês)?




* igual a "sem consequências", diferente de "negligente".
** mito urbano, ou não, aqui soa-me bem.
*** disponibilidade mental, se é que me entendem.
**** isto inclui, vejam só, resistir a arganazes-fêmea todas boas, sem celulite e mau feitio, e com silicone na proporção certa.

4 comments:

Blogger A said...

a analogia do macaco folhivero e frutivero, parece-me incorrecta, o homem/mulher engatativero, tem que saber procurar, seleccionar e encontrar os sitios onde procurar o engate, e manter um registo destes. o homem/mulher amorivero, precisa também de procurar, seleccionar e encontrar os sitios onde procurar o 'amor'
como tal a unica coisa que diferem os pseudo macacos, é no objectivo, um quer o engate, o outro algo mais duradouro. enquanto que nos macacos essa era a unica coisa que concordavam, o objectivo era alimentarem-se (antes tinha comer,em vez de alimentar, mas ai o objectivo ia ser igual ao dos pseudo macacos :p)

23 novembro, 2005 18:09  
Blogger A said...

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23 novembro, 2005 18:12  
Blogger A said...

com isto concluo que são ambos inteligentes, mesmos métodos, mesmas tácticas, o objectivo é que é diferente.

aviso: estes assuntos para mim é como ler grego, é muito bonito, mas é para quem entende, isto é, outras pessoas que não eu :D

23 novembro, 2005 18:15  
Blogger Adriana said...

Chama-se situação, oportunidade, disposição e disponibilidade dos envolventes logo incluiu, mais ou menos inteligentes a, mediante as variáveis, fazerem o que mais lhes apetece. :D

23 novembro, 2005 20:43  

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